O Pranayama de Babalon-Nuit


por Shin Vesta


Os pranayamas são práticas de respiração controladas e conscientes. Muito eficientes no controle da mente e, consequentemente, no auxílio a diversas questões mentais (como ansiedade, estresse, insônia, etc.) é uma prática básica e extensamente recomendada por Aleister Crowley a todo adepto.

Prana significa energia vital e yama significa controle, percebe-se claramente aqui como esta prática é enriquecedora para todo praticante de magick:


O Pranayama é extremamente útil para aquietar as emoções e apetites, e quer devido à pressão mecânica que produz, quer devido à combustão completa que assegura nos pulmões, é admirável do ponto de vista da saúde física. Especialmente os distúrbios digestivos são facilmente eliminados desta forma. Purifica tanto o corpo quanto as funções mais baixas da mente. É impossível combinar o pranayama devidamente executado com estados de agitação emotiva. Devemos recorrer a pranayama imediatamente quando quer que, durante a nossa vida, a calma seja perturbada. O Pranayama deve ser praticado certamente não menos que uma hora diária pelo estudante sério.

(CROWLEY, Aleister. Liber ABA. Parte I, Cap. II)


A partir deste fato, trago uma sugestão de pranayama canalizada durante A Liturgia da Palavra 156, no dia 18/12/2021. Esta sugestão parte do entendimento que Babalon é a Deusa que materializa e, portanto, está aqui em Malkuth junto a nós, olhando por nós e sendo essa guardiã dos Mistérios e maternando nossa jornada espiritual. É com ela que desbravamos a nós mesmos e nos forjamos seres conectados ao universo e transbordantes de Luz, Vida, Amor e Liberdade, exalando assim a energia mais sublime de estrelas que somos no céu de Nuit.

Observando o Credo da Ecclesia Babalon, notamos que há uma menção à sizígia Babalon-Chaos,

Em seguida, temos CHAOS. “O nome CHAOS é derivado de Liber CDXVIII, 14º, 4º, 3º e 2º Aethyrs, onde é identificado como um Nome de Chokhmah. CHAOS é o nome usado pelos Orfeus para denotar a substância primordial e indiferenciada da qual o Universo foi formado. Os alquimistas usavam a palavra "caos" para significar a "essência" ou "alma" de algo - sua parte "aérea" - é desse uso da palavra "caos" que derivamos nossa palavra moderna "gás". Aqui, refere-se ao Princípio Paterno Criativo, o Yod do Tetragrammaton, o Fogo de Heráclito e dos Oráculos Caldeus.” (Sabazius, 2014). CHAOS, que também é chamado de PAN, se faz apresentar para nós como o SOL, cujos raios nutrem a vida na Terra.

Na segunda estrofe temos BABALON, a qual Tau Nahash explica como sendo “BABALON é nossa Mãe, mas quem é ela? Ela é simplesmente tudo. O que você está vendo, o que está bebendo, o que está vestindo, a maneira como o cabelo cheira, a maneira como o barulho do lado de fora atinge a janela, o cachorro etc. Tudo isso é Babalon, toda a realidade material. Ela é a Mãe Divina, a portadora da Luz e das Trevas e a Ela somos subjugados por sua autoridade majestosa”. CHAOS e BABALON formam uma Sizígia, ou seja, um duplo indissociável entre potência e forma. Em termos cabalísticos podemos dizer que o Princípio Soberano, Chaos e Babalon formam a tríade superior da Árvore da Vida, Kether, Chokhmah e Binah.

(TAU HANU. Breve Explicação Sobre o Credo Gnóstico. Disponível em: https://eb.4gsanctuary.com/artigos#h.xvp0o82bi6dr )


Desta forma, no Pranayama de Babalon-Nuit utilizamos o duplo indissociável entre potência (o ar nutridor de tudo que respira) e a forma (a nossa Mãe das Abominações através de seu sagrado número 77) para chegarmos a Nuit e a vivência plena da Lei de Thelema a partir do sagrado número 11.


O Pranayama:


A prática em si é bastante simples. Como todo pranayama pode ser em qualquer lugar, a qualquer hora do dia. É uma forma simples, discreta e inclusiva de conexão com o sagrado.

É importante observar que práticas mais concentradas são recomendáveis também. Separe um momento do seu dia onde você possa estar em um ambiente calmo e silencioso. Se concentre, e busque sua conexão com Babalon. Se quiser, coloque o Mantra de Babalon para tocar, acenda um incenso de sândalo e uma vela vermelha.

O objetivo é controlar a respiração. Isto exige certo treino. Se pranayama é algo novo para você, não se frustre se não conseguir na primeira tentativa. Insista, treine seu diafragma, expanda seus pulmões. Você chegará a esse domínio em pouco tempo. Na contagem dos tempos lembre-se de não ser tão lento (pois isto tornará a contagem inviável) nem tão rápido (afinal, buscamos controle, relaxamento, calma e conexão divina).

Comece fazendo a prática durante 7 minutos ou por 7 repetições do mantra de Babalon. Depois expanda para 11 minutos ou por 11 repetições do mantra. Trabalhe sempre com múltiplos de 7 e 11 se quiser aumentar o tempo de prática. Evolua de forma lenta, não é sobre quanto tempo você consegue fazer pranayama. É muito mais sobre a qualidade da sua conexão com Babalon e com Nuit e sobre como você trará mais calma, presença e controle para seu dia a dia se tornando assim, cada vez mais, alguém que vive uma jornada rumo à realização da Grande Obra.


Sente-se em posição meditativa, feche os olhos e respire respeitando os seguintes tempos:


Inspire por 7 tempos

Segure a respiração por 7 tempos

Expire por 11 tempos


Se inserir este pranayama em suas práticas, não esqueça de compartilhar seus resultados, sensações e conclusões.



93, 93/93!