Desenvolvendo uma prática devocional

Por Tau Acacius


“Know that my worship is of Flesh

All else is abstract, obtuse and as dust.”

Book of Shakti-Babalon, Aion


O Caminho para o sacerdócio

Quem aspira ao sacerdócio? Por que? Qual motivação espiritual, interesse material, obrigação? Talvez tudo junto? Essas são questões muito pessoais que devem ser respondidas por cada um a seu tempo. Apesar das diversas possibilidades, experiências e caminhos que levam o praticante ao sacerdócio (diversas, afinal, “Todo homem e toda mulher é uma estrela” AL I-3) existem alguns pontos comuns e, dentre eles: Todo sacerdote é um devoto.

Você, que aspira ao sacerdócio de Nossa Senhora BABALON, é um devoto?

Invoke often! Inflame thyself with prayer!

Em “Magick in Theory and Practice” cap XV, Crowley fala sobre a simplicidade do segredo para invocações bem sucedidas, ele estaria resumido nessas palavras: “Inflama-te em oração”. O praticante deve exaltar-se em oração a ponto de perder a própria consciência de si tal qual um artista no frenesi de seu processo criativo: ele deve ser carregado por uma força tal que, apesar de estar nele e ser dele, não é reconhecida em seu estado normal não exaltado.

Apesar de existirem inúmeras práticas para se atingir esse objetivo, cada pessoa é mais bem estimulada à sua maneira: alguns inebriados com o perfume de um incenso, outros encantados com uma performance e parafernália ritualística, outros ainda se envolvem na beleza dos versos entoados ou cantados, etc. Mas existe uma abordagem comum à todas as religiões e formas de espiritualidades conhecidas: Repetição!


Japa

A prática da repetição de mantras, orações, palavras de poder é uma ferramenta mágica reconhecida por todos os sacerdotes, magos e xamãs como uma poderosa forma de elevação de consciência e união com o divino. Como foi dito por vários sábios e refletido nos ensinamentos de diversas tradições espirituais: “Nos tornamos aquilo que contemplamos”.

Essa prática simples e poderosa pode ser realizada com a ajuda de um instrumento como um cordão de contas - Mala, Rosário, etc - ou contando com as próprias mãos, passos em uma caminhada, tempo, etc, e consiste em praticar a repetição de uma oração um determinado número de vezes, seja com total concentração na vibração das palavras, seja como um “pano de fundo” para a consciência durante alguma atividade contemplativa como uma caminhada.

O hábito dessa prática e o espontâneo êxtase que surge da repetição dos nomes sagrados deve possibilitar ao devoto diversas experiências de união mística com a Deusa através da percepção de sua vibração, corpo energético, intuição, mensagens em sonhos, elevação da consciência e até mesmo a plena comunhão e realização com o Todo.